Depois de 3 anos de trabalho em Angola com inúmeras experiências e emoções neste e em outros países do continente Africano minha alma de aventureiro pedia mais. Sentia que era hora de explorar outros cantos do mundo e percebi que fazendo isso em intervalos de duas semanas a cada dois meses, como meu esquema de folga no trabalho me permitia, eu iria precisar de pelo menos uns 5 anos para conhecer os países da minha lista de lugares para se visitar antes que a energia e a minha situção pessoal mudassem. Além do mais, havia folgas em que tinha vontade de ficar com a minha família, de visitar amigos e passear no Brasil, e diga-se a verdade, estas duas coisas andavam bem escassas devido a minha gana de conhecer novos países Africanos.
Então no dia 31 de Julho de 2009, fortemente inspirado pela coragem da Flávia que sózinha encarou esse mundão, me despedi de Angola, dos novos e velhos amigos que por lá ficaram e dei oficialmente o pontapé inicial para o que seria a maior aventura da minha vida: Um rolê pelo mundo.
Devo admitir que não foi fácil me separar da empresa que me adotou desde que saí da universidade e que me brindou com a oportunidade de conhecer África. Tão pouco foi fácil abandonar o sonho da carreira internacional numa empresa de grande porte, que além da satisfação profissional traz consigo um futuro mais que tranquilo economicamente falando. Porém, como não é dinheiro o que move o meu mundo, e sim pessoas, emoções e vivências, bati o martelo e me senti super apoiado pela família, amigos e inclusive meus colegas e chefes do trabalho.
Após uma agradável visita à Pérola do Índico cheguei ao Brasil no maior pique para renovação de documentos, programação da viagem e a caça aos vistos. Quase que no dia seguinte já fui atrás de um novo passaporte que demorou uns 10 dias para ficar pronto, mesmo indo a São Paulo, senão seria mais de um mês.
Com o passaporte na mão, parti eu para Brasília para dar entrada ao primeiro visto que eu iria precisar, o da Austrália. Aproveitei para visitar alguns amigos e conhecer meu segundo sobrinho adotivo de nome Pedro. Ficamos amigos logo de cara. Sempre na correria, acabei não vendo todos os amigos que gostaria de ver por lá, mas fazer o quê? Fica pra pxóxima.
Era hora de pensar na passagem e quem acha que dar a volta ao mundo é coisa de milionário, lhes digo que as alianças das empresas aéreas competem entre si para oferecer uma variede de pacotes por mais ou menos
Cada uma tem as suas regras, e depois de pesquisar escolhi o da aliança One World pelo seu preço e por ser o que tinha as linhas aéreas da rota que eu gostaria de fazer. Ahhh mas como eu passei horas na frente daquela telinha do programa da One World que te ajuda a montar o itinerário! Pesquisa sobre os países, quais são as melhores épocas para ir a cada lugar e quais eram as alternativas para usufruir ao máximo da passagem dentro das regras do pacote que eu iria comprar. Tive que tirar alguns países por onde gostaria passar e adicionar outros que não estavam nos meus planos iniciais, mas até aí eu continuava animado pelo excelente preço.Até descobri que tinha amigos na Finlândia que podia aproveitar visitar na parada que lá eu teria que fazer para ir da Índia para Moscow.
Entrentanto quando entrei em contato com a LAN Chile, a linha aére do meu primeiro vôo, tudo subitamente mudou. Algumas rotas sumiram, não haviam vôos disponíveis nas minhas datas, apareceram umas paradas que eu não precisaria fazer e umas conexões estranhas como esta que não tive como fugir que me obrigava a ir primeiro a Buenos Aires e depois a Sydney para me deslocar do Chile para Nova Zelândia, quando inicialmente o programa mostrava que eu poderia fazer esse trecho direto pela LAN Chile. Aí meu amigo, foi aquele manda email pra cá e pra lá por uma semana, os meus nervos à flor da pele, e no final a minha passagem de volta ao mundo ficou... do jeito deles. Sabe o quê? Dispensei! Decidi fazer a WRT (World Round Trip) por minha conta. Mesmo sabendo que vou pagar mais, viajo com a liberdade de ficar quanto tempo quiser onde quiser e mudar os meus planos conforme o andar da carruagem. A final de contas não é sempre que a gente tira um ano só pra isso, então, vamos fazer bem né?
Se não dei muita sorte na marcação da passagem, dependendo do ponto de vista é claro, hoje acho que é muito melhor ir livre e sem roteiro amarrado, tive sim a enorme felicidade de encontrar dois companheiros de aventura logo para a minha primeira parada que é o Chile. Juntos acabamos decidindo fazer uma caminhada na Patagónia. Um deles é o Vinícius, meu colega de turma, mais conhecido como Bacalhau graças ao cidadão aqui que no primeiro ano de faculdade ao encontrá-lo no ónibus que vinha de Sampa notou uma mancha de óleo na mochila dele e ao sentir o cheiro espalhando-se no ar deduziu imediatamente qual tinha sido o almoço de domingo na casa dele: BACALHAU!!!!! O outro companheiro é o Thiago, um colega de trabalho do Vinícius que ainda não conheci.
Com a passagem comprada e a data se aproximando faltava um pequeno detalhe, eu não tinha recebido meu passaporte da embaixada da Austrália e tive que colocar o plano B em ação, sem contar com a impossibiidade de aplicar a outros vistos. Mas como a sorte está do meu do meu lado, nosso pequeno bloco econômico do Mercosul me permitiu viajar sómente com o meu documento de identificação pessoal. Para melhorar ainda mais as coisas, o Thiago embarcava nessa viagem exatamente por Brasília e deve estar neste momento voando para Santiago de Chile com o meu passaporte na mão.
E assim embarquei eu quinta passada dia 29 de Outubro nesta viagem, não sem muito drama antes de começar, mas como diz meu amigo Earl, a vida precisa de drama, senão fica chata. Vamos nessa!
























