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Quinta-feira, Julho 09, 2009

16 de Junho - O Dia da Juventude

Viiiiiixe, dois meses desde o último post! Caramba, fazia tempo que não deixava a minha janela para o mar tão abandonada. Bom, mas antes de continuar minha epopéia no caminho do Clã Bemati - O povo das Águas, rumo ao Oceano Índico, queria compartilhar este texto que escrevi no dia 17 de Junho a caminho da base de prospeção no Lucapa, nordeste de Angola.

“Passei ontem pela África do Sul ao voltar de duas semanas de férias na Namíbia e notei que era feriado por lá. O dia da juventude é celebrado a 16 de Junho, e tem como objetivo prestar memória a uma importante data que ficou marcada na história da África do Sul. No ano de 1976, jovens e crianças de raça negra saíram às ruas para protestar contra a obrigatoriedade do estudo do Afrikaans nas escolas. O Afrikaans é uma das línguas oficiais da África do Sul e foi criada pelos colonos que povoaram a região da Cidade do Cabo, a maioria destes eram descendes de Holandeses mas também haviam influencias de Alemães e Franceses entre outros europeus.

Os jovens protestavam contra o decreto de 1974 que forçava todas as escolas a ensinar metade das matérias em Inglês e a outra metade em Afrikaans, banindo oficialmente as línguas maternas do povo Africano. A caminhada pacífica agregou 10.000 jovens de todas as idades a protestar contra o “idioma do opressor”, mas também com um pano político de fundo, que se mostrava animado com as recentes vitórias contra os colonos brancos em Moçambique e em Angola em 1975. Tanta adrenalina e vontade de liberdade acabaram gerando um conflito ao qual a policia do Apartheid respondeu com chumbo pesado, tanto no dia da manifestação como no dia seguinte, distribuindo tiros no bairro negro de Soweto. Na época a agência Reuters noticiou “mais de 500 mortes”, porém dados oficiais apontam unicamente 23.

Isso é história e o mundo mudou muito nestes 33 anos que seguiram, porém ainda temos muito que alcançar. Continuo sonhando com a igualdade de direitos entre gêneros, raças ou religião e pela liberdade das escolhas pessoais. Que sejamos mais complacentes com o próximo e sigamos um princípio básico de irmandade que diz que o forte ajuda o mais fraco, o rico ao pobre, o saudável ao doente e assim por diante.

O mundo continua a mudar e cada vez mais rápido com o advento da tecnologia e sua mais recente maravilha, a Internet. É inegável o peso que ela teve nas últimas eleições norte-americanas onde finalmente conseguiram eleger alguém que pensa mais no bem estar geral do que em seus interesses econômicos pessoais e tacadas de golfe. Gostei também de ver a CNN ensinando como ultrapassar o sistema de bloqueio e vigilância nacional para que as pessoas pudessem contar para o mundo via Internet sobre o que estava acontecendo no Irã, já que todos jornalistas estrangeiros foram retirados do país. Espero que cada vez mais pessoas possam fazer uso da tecnologia para dizer ao mundo que a Sra Mugabe acaba de gastar 10.000 dólares em uma bolsa em Paris enquanto seu país morre de fome, ou como o filho de Fidel vive uma realidade bem diferente dos restantes dos Cubanos. Mas principalmente quero ver a arma da Internet funcionando no meu país para banir definitivamente os Sarneys do seu MAR(anhão) de miséria, os Malufs e suas contas na Suíça, os donos de castelos, os senadores e seus atos secretos, os políticos que além de ganhar bem, trabalhar menos e contar com auxílio até para comprar terno Armani, ainda desviam dinheiro de merenda escolar, ambulâncias, estradas, universidades e sei lá mais o quê.

Porquê tanta opulência? Para quê tanto dinheiro? Não acham injusto um clube pagar 90 Milhões de Dólares por um jogador? Porque será que alguém que já tem mais de 500 milhões de dólares quer outros 10? Porque ficamos tão obcecados com os bens materiais? Carros, barcos, jóias, roupas de griffe, para quê tudo isso? Às vezes sinto vontade de fazer como Alexander Supertramp e desaparecer na natureza selvagem (Into The Wild). Definitivamente o mundo ainda tem muito que melhorar, precisamos de muitos Obamas na liderança de seus respetivos países, precisamos de muitos Obamas dentro de cada um de nós, vamos começar pela nossa família, nosso bairro, nosso trabalho e assim por diante. Vamos virar mais espirituais e menos materialistas. Namastê!"


Crianças na vila do Lucapa - Angola

4 comentários:

anita_gemini disse...

Waww...
Que lindo baby!
Obrigada

Dea Conti (deinha) disse...

Bela experiência e sábias palavras, Hori: congratulations!

beijão

Dea Conti (deinha) disse...

Continuando meu comentário...
Além dos instrumentos tecnológicos, sem dúvida o maior avanço que tivemos em relação à democracia de fato e não de fachada, não vamos nos esquecer da força da literatura. Esta não tem o mesmo alcance, infelizmente, todavia sua força é imensa. No que tange aos autores africanos,por exemplo, praticamente nada era editado aqui no Brasil. O que eu havia lido era publicação de Portugal, mas nesse momento estou lendo dois livros muito bonitos e interessantes: Meio Sol Amarelo, da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, e Antes de nascer o mundo, do moçambicano Mia Couto... Junto com outros recentemente lidos, eles estão me trazendo as múltiplas vozes da África, continente que está tão perto de nós e simultaneamente, que bizarro!, tão longe...

Bem, era só para complementar.

bjs

ram horizonte disse...

Nossa com certeza Dea, a literatura é uma arma fortíssima, principalmente nos livros, porque a imprensa é em grande parte controlada pelos governos, como no Maranhão e as emissoras e jornais que pertencem a família Sarney, grande truque para a reeleição eterna.
O único problema da literatura é a sua abrangência, sabemos que lá na base da pirâmide não se tem muito apetite nem acesso aos livros, mas aí temos outra grande arma que já funcionou muito bem no Brasil: A Música! No nosso Brasil de antigamente os compositores tinham que fazer peripécias para conseguir passar pela censura e muitas vezes conseguiam, mas hoje, quase qualquer um grava um CD e mete o pau em quer quiser, só que desafortunadamente não vai poder desfrutar dos louros da fama porque seguramente o terá de fazer anonimamente.
O Mia é realmente ótimo, foi amor a primeira lida, numa simples revista de bordo que me arrancou lágrimas.

Bjs

http://www.angolaxyami.com/Politica-angolana/Polemica-no-Parlamento-Angolano-desarmamento-de-cidadaos-e-musica-contra-o-presidente-JES.html